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Valg Brasil: Marina støtter Aécio i andre runde

Søndag ble det klart at Marina Silva – nummer tre i presidentsvalgets første omgang – gir sin støtte til høyresidens kandidat Aécio Neves. Den mest spennende valgkampen i Brasil på 50 år har igjen tatt en uventet vending. Det ligger an til en to ukers thriller inn mot andre valgomgang 26. oktober.

 

Dilma e Aecio

Presidentvalget i Brasil avgjøres i andre runde 26. oktober. Sittende president Dilma Rousseff fra Arbeiderpartiet PT møter høyresidens utfordrer Aécio Neves fra det sosialdemokratiske partiet PSDB. 

 

Uavgjort mellom Dilma og Aécio

Tidligere denne uka viste meningsmålinger at Aécio Neves fra høyrepartiet PSDB ligger likt med sittende president Dilma Rousseff fra Arbeiderpartiet PT. Ifølge de to største byråene i Brasil, Datafolha og Ibope, har Aécio 46 prosents oppslutning mot Dilma Rouseffs 44 prosent. Men med to prosentpoengs feilmargin begge veier, er det teknisk uavgjort.

Omgjort til gyldige stemmer ved et valg villde dette gitt seier til Aécio med 51 prosent mot Dilmas 49 prosent. Men fortsatt er det altså teknisk sett uavgjort. Under: Instituttet Datafolhas framstilling av siste meningsmåling.

 

Skjermbilde 2014-10-13 kl. 00.38.21

 

Hva gjør Marina?

Det største politiske spørsmålet i Brasil den siste uka har vært hva Marina Silva ville gjøre foran andre valgomgang. Ville hun støtte Dilma eller Aécio som kom på de første plassene med henholdsvis 42 og 34 prosents oppslutning, eller ville hun anbefale sine 22 millioner velgere – 21 prosent av de gyldige stemmene – å stemme blankt.

Søndag kom avgjørelsen. Marina kunngjorde hun sin støtte til Aécio Neves gjennom å lese opp et langt brev med refleksjoner rundt den politiske utviklingen i Brasil de siste 15 årene. Hovedbudskapet var at Brasil trenger forandring og utskifting av politisk ledelse, og at Aécio er kandidaten som best representerer forandring. (Les hele brevet på portugisisk nederst i denne saken.)

 

Bakgrunn: Aécio omfavnet Marinas kjernesaker

Marina Silva sendte tidligere i forrige uke et brev til Aécio Neves der hun krevde svar på flere politiske kjernespørsmål, blant annet om kriminell lavalder, miljøpolitikk, politisk reform (bla. forbud mot gjenvalg for president) respekt for minoriteter og anerkjennelse av urfolksterritorier.

Lørdag svarte Aécio på utfordringen ved å presentere et eget dokument der han inkluderte mange av forslagene – men ikke alle – i sin egen politiske plattform. Svarene var nokså vage, og Marinas krav om å ikke senke den kriminelle lavalderen ble ikke nevnt. Likevel var det altså nok til at Marina støtter Aécio i andre runde.

 

Aecio Neves e Renata Campos

Aécio Neves fikk forrige uke støtte fra Eduardo Campos´ enke Renata Campos, ogå hun en sentral skikkelse i partiet PSB i delstaten Pernambuco. Her poserer de sammen med fire av barna til Eduardo og Renata.

 

Et splittet PSB støtter Aécio

Marina Silvas parti PSB hadde tidligere denne uka offentliggjort sin støtte til Aécio. Avgjørelsen splitter partiet. Flere ledende skikkelser, blant annet partipresidenten, har sterke bånd til PT og ville gå for nøytralitet i andre runde. PSB var lenge en del av PTs koalisjon, og Eduardo Campos selv – partiets opprinnelige kandidat som omkom i en flyulykke – var en stund minister i tidligere president Lulas regjering. Også Eduardo Campos ´enke Renata Campos har gått ut offentlig med sin støtte til Aécio Neves.

 

Marinas partiprosjekt Rede anbefaler Aécio eller blankt

Marina Silva gikk inn i PSB som en nødløsning da valgmyndighetene ikke godkjente hennes eget parti Rede Sustentabilidade (Bærekraftig nettverk) før fristen i oktober 2013. Det svekket selvfølgelig hennes posisjon som ”alternativ” politiker, nå oppfatter mange at hun shopper parti slik andre politikere gjør. Det førte også til at noe av entusiasmen forsvant fra støttespillere og aktivister som samlet underskrifter. Nå forventer de fleste at Marina i løpet av det neste året forlater PSB og går tilbake til Rede. I årets andre valgomgang anbefaler Rede at medlemmer og sympatisører stemmer Aécio Neves eller blankt.

 

Hvem vinner?

Jeg burde slutte å spå i denne valgkampen. Den har vært som en berg- og dalbane (se bla. denne analysen i The Economist), og jeg har spådd feil mange ganger allerede. Likevel: Jeg setter fortsatt pengene mine på sittende president Dilma Rousseff og PT.

Hvorfor? Makta og pengene rår. PTs valgkampmaskin er Brasils beste. Og tross dårlige makroøkonomisk tall (høy inflasjon og lav økonomisk vekst) var det mye verre før. Men aller viktigst: Folk flest, de fattige, har det bedre enn på lang, lang tid. Fattigfolks lommebok vil avgjøre.

 

Lese mer?

The Economists sak nevnt over er god og på engelsk, men noen dager gammel.

På portugisisk anbefaler jeg nyhetssakene om Marinas støtte til Aécio i Brasils tre største aviser: Folha de São Paulo, Estado de São Paulo og O Globo.

 

Marina Silvas begrunnelse for sin støtte til Aécio Neves (PSDB)

«Ontem, em Recife, o candidato Aécio Neves apresentou o documento “Juntos pela Democracia, pela Inclusão Social e pelo Desenvolvimento Sustentável”.

Quero, de início, deixar claro que entendo esse documento como uma carta compromisso com os brasileiros, com a nação. Rejeito qualquer interpretação de que seja dirigida a mim, em busca de apoio.

Seria um amesquinhamento dos propósitos manifestados por Aécio imaginar que eles se dirigem a uma pessoa e não aos cidadãos e cidadãs brasileiros. E seria um equívoco absoluto e uma ofensa imaginar que me tomo por detentora de poderes que são do povo ou que poderia vir a ser individualmente destinatária de promessas ou compromissos.

Os compromissos explicitados e assinados por Aécio tem como única destinatária a nação e a ela deve ser dada satisfação sobre seu cumprimento. E é apenas nessa condição que os avaliei para orientar minha posição neste segundo turno das eleições presidenciais.

Estamos vivendo nestas eleições uma experiência intensa dos desafios da política. Para mim eles começaram há um ano, quando fiz com Eduardo Campos a aliança que nos trouxe até aqui. Pela primeira vez, a coligação de partidos se dava exclusivamente por meio de um programa, colocando as soluções para o país acima dos interesses específicos de cada um.

Em curto espaço de tempo, e sofrendo os ataques destrutivos de uma política patrimonialista, atrasada e movida por projetos de poder pelo poder, mantivemos nosso rumo, amadurecemos, fizemos a nova política na prática. Os partidos de nossa aliança tomaram suas decisões e as anunciaram. Hoje estou diante de minha decisão como cidadã e como parte do debate que está estabelecido na sociedade brasileira.

Me posicionarei.

Prefiro ser criticada lutando por aquilo que acredito ser o melhor para o Brasil, do que me tornar prisioneira do labirinto da defesa do meu interesse próprio, onde todos os caminhos e portas que percorresse e passasse, só me levariam ao abismo de meus interesses pessoais.

A política para mim não pode ser apenas, como diz Bauman, a arte de prometer as mesmas coisas. Parodiando-o, eu digo que não pode ser a arte de fazer as mesmas coisas. Ou seja, as velhas alianças pragmáticas, desqualificadas, sem o suporte de um programa a partir do qual dialogar com a nação.

Vejo no documento assinado por Aécio mais um elo no encadeamento de momentos históricos que fizeram bem ao Brasil e construíram a plataforma sobre a qual nos erguemos nas últimas décadas. Ao final da presidência de Fernando Henrique Cardoso, a sociedade brasileira demonstrou que queria a alternância de poder, mas não a perda da estabilidade econômica. E isso foi inequivocamente acatado pelo então candidato da oposição, Lula, num reconhecimento do mérito de seu antecessor e de que precisaria dessas conquistas para levar adiante o seu projeto de governo.

Agora, novamente, temos um momento em que a alternância de poder fará bem ao Brasil, e o que precisa ser reafirmado é o caminho dos avanços sociais, mas com gestão competente do Estado e com estabilidade econômica, agora abalada com a volta da inflação e a insegurança trazida pelo desmantelamento de importantes instituições públicas.

Aécio retoma o fio da meada virtuoso e corretamente manifesta-se na forma de um compromisso forte, a exemplo de Lula em 2002, que assumiu compromissos com a manutenção do Plano Real, abrindo diálogo com os setores produtivos. Doze anos depois, temos um passo adiante, uma segunda carta aos brasileiros, intitulada: “Juntos pela democracia, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável”.

Destaco os compromissos que me parecem cruciais na carta de Aécio:

  • O respeito aos valores democráticos, a ampliação dos espaços de exercício da democracia e o resgate das instituições de Estado.
  • A valorização da diversidade sociocultural brasileira e o combate a toda forma de discriminação.
  • A reforma política, a começar pelo fim da reeleição para cargos executivos, que tem sido fonte de corrupção e mau uso das instituições de Estado. Sermos capazes de entender que, no mundo atual, a ampliação da participação popular no processo deliberativo, através da utilização das redes sociais, de conselhos e das audiências públicas sobre temas importantes, não se choca com os princípios da democracia representativa, que têm que ser preservados.
  • Compromissos sociais avançados com a Educação, a Saúde, a Reforma Agrária.
  • Prevenção frente a vulnerabilidade da juventude, rejeitando a prevalência da ótica da punição.
  • Lei para o Bolsa Família, transformando-o em programa de Estado
  • Compromissos socioambientais de desmatamento zero, políticas corretas de Unidades de Conservação, trato adequado da questão energética, com diversificação de fontes e geração distribuída.
  • Inédita determinação de preparar o país para enfrentar as mudanças climáticas e fazer a transição para uma economia de baixo carbono, assumindo protagonismo global nessa área.
  • Manutenção das conquistas e compromisso de assegurar os direitos indígenas, de comunidades quilombolas e outras populações tradicionais. Manutenção da prerrogativa do Poder Executivo na demarcação de Terras indígenas
  • Compromissos com as bases constitucionais da federação, fortalecendo estados e municípios e colocando o desenvolvimento regional como eixo central da discussão do Pacto Federativo.
  • Finalmente, destaco e apoio o apelo à união do Brasil e à busca de consenso para construir uma sociedade mais justa, democrática, decente e sustentável.

Entendo que os compromissos assumidos por Aécio são a base sobre a qual o pais pode dialogar de maneira saudável sobre seu presente e seu futuro. É preciso, e faço um apelo enfático nesse sentido, que saiamos do território da política destrutiva para conseguir ver com clareza os temas estratégicos para o desenvolvimento do país e com tranquilidade para debatê-los tendo como horizonte o bem comum.

Não podemos mais continuar apostando no ódio, na calúnia e na desconstrução de pessoas e propostas apenas pela disputa de poder que dividem o Brasil. O preço a pagar por isso é muito caro: é a estagnação do Brasil, com a retirada da ética das relações políticas. É a substituição da diversidade pelo estigma, é a substituição da identidade nacional pela identidade partidária raivosa e vingativa. É ferir de morte a democracia.

Chegou o momento de interromper esse caminho suicida e apostar, mais uma vez, na alternância de poder sob a batuta da sociedade, dos interesses do pais e do bem comum. É com esse sentimento que, tendo em vista os compromissos assumidos por Aécio Neves, declaro meu voto e meu apoio neste segundo turno.

Votarei em Aécio e o apoiarei, votando nesses compromissos, dando um crédito de confiança à sinceridade de propósitos do candidato e de seu partido e, principalmente, entregando à sociedade brasileira a tarefa de exigir que sejam cumpridos.

Faço esta declaração como cidadã brasileira independente que continuará livre e coerentemente, suas lutas e batalhas no caminho que escolheu. Não estou com isso fazendo nenhum acordo ou aliança para governar. O que me move é minha consciência e assumo a responsabilidade pelas minhas escolhas.»

 

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Published on: 12. oktober 2014

Filled Under: Aécio Neves, Dilma Rouseff, Marina Silva, politikk, valg 2014

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3 Responses to Valg Brasil: Marina støtter Aécio i andre runde

  1. Vidar Lerstad sier:

    Vår norske logikk vil tilsi at du vil få rett denne gangen – Dilma vil vinne. Men er denne logikken gangbar i Brasil?

  2. Vidar Lerstad sier:

    Jeg dropper kommentaren- det blir uansett et spennede valg!

  3. Torkjell Leira sier:

    Hei Vidar!

    Ingen grunn til å droppe den kommentaren. Hva som er logisk varierer ofte fra land til land. Men i denne sammenhengen tror jeg logikken med at de fattigste har fått det bedre – ergo stemmer de på partiet som har gjennomført forbedringene – stemmer i Norge som i Brasil.

    Undersøkelser av folks stemmepreferanser i valgene i 2002 (Lula vant for første gang og 2006 (Lula blir gjenvalgt) er et klart tegn på dette. I 2002 ble PTs kandidat valgt inn av den organiserte arbeiderklassen, middelklassen, de intellektuelle og akademia. De aller fattigste stemte på høyresiden. I 2006, etter at fattigdomsreduksjonen hadde begynt å slå inn, ble Lula stemt inn av de fattigste, særlig i nord og nordøst der fattigdommen var (og fortsatt er) størst. I 2010 (Dilma) og nå i 2014 gjentar dette seg.

    Og ja, det blir et spennende valg!

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